13 de julho de 2005

Sobre trabalhar num escritório de arquitectura - 1:

(ai, ai.. escrito ha' duas semanas e prisioneiro na entao desaparecida pen-drive, finalmente resgatado)

Graças à nossa Ordem, somos obrigados a fazer um ano de estágio num escritório. (há uns dias disseram-me que na Áustria são três anos, por isso nem me queixo muito). E de qualquer maneira, para 99% dos recém-licenciados, essa é a única opção. Muitas vezes dizem-me “O problema é que não é obrigatório que o estágio seja remunerado! É revoltante, estão-nos a fazer legalmente escravos!”. Ora isto tem a ver com a mais ou menos recente discussão sobre o salário mínimo. Ou por que é que o salário mínimo faz crescer o desemprego e assim baixar o nível de vida do país.

É sabido que o número de arquitectos em Portugal (e ainda mais em Itália) supera estratosfericamente o volume de trabalho existente (e por isso toda esta treta de revogar o 72/73 e de criar provas de admissão and so on). Assim, os poucos arquitectos que têm trabalho (1) não têm condições para oferecer empregos estáveis aos estagiários e/ou (2) aproveitam-se dessa situação para explorar os pobres ex-estudantes, a quem ainda por cima o facto de terem tirado um curso de 6 anos não dá direito a exercer a profissão (isto eu acho revoltante). Aqui em Roma o normal é ninguem estar à espera de pagar a um estagiário. Há escritórios onde trabalham 10 (dez!) pessoas a tempo inteiro, por um ano e a fazer directas se for preciso, sem receber um tusto.

Mas a solução não é obrigar o patrão a pagar, nem muito menos a fazer um contrato (admito que o parágrafo anterior já começava a soar um bocado a inter-sindical). Que a situação não é famosa, já se sabe. Mas imaginemos que era mesmo obrigatório que o estágio fosse pago. Quem é que no seu perfeito juízo ia dar trabalho a estagiários de arquitectura? Ou se punham desenhadores a trabalhar, ou se trabalhava de graça e o tempo de trabalho não contava como tempo de estágio. Era o caos. Ou seja, ia ficar tudo não na mesma, mas pior. E o que acontece é que, não pagando, muita gente pode ter experiência num escritório e geralmente os patrões preferem, passado algum tempo, começar a pagar aos melhores colaboradores (infelizmente não é sempre assim dada a mentalidade de merceeiro ainda soberana nos países mediterrânicos, mas paciência). De facto, é por isto que a Ordem escreve “o estágio deverá ser remunerado” e não “TEM que ser remunerado”, porque, acho eu, ainda deve haver uma réstia de bom-senso naquelas cabeças iluminadas.

2 comentários:

Anónimo disse...

O maluco... nem sabia que tu tinha blog !!! :-)
eu tbem tenho.. anota ai http://www.webyes.com.br/giovani

E ve se vamos manter contato pros cappuccinos dps das despedidas todas...

abracos...
Giovani

Anónimo disse...

Quando chegar a estagiaria depois comento, ok?

Agora só fico assustada!